“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância. Pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono! Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer…”

Clarice Lispector

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

DOAÇÃO


A Hildeberto Barbosa Filho

O papel se doa
não o vejo.
Bate as sandálias
mexe os cabelos.

O papel pondera
as vogais da ventania.
Letras apuram
na saliva a velha mania.

Não se mistura
ao pó d’outros rasgos.
Caixa coberta
No chão
a marca da exaustão.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Viagem ao Rio Grande do Norte


Dilacera meu corpo
Campo de virgens sementes
Garganta de vãs palavras.

Dilacerado campo
Se mente as palavras
Vãs do meu corpo.

* Indo à Pipa-RN, a surpresa foi a III Festival Literário da Pipa, A Viagem da Literatura na Praia.

domingo, 6 de novembro de 2011

Artigo apresentado no III Seminário Nacional de Gênero e Práticas Culturais - olhares diversos sobre a diferença, realizado pelo UFPB nos dias 26.11 a 28.11.2011


O ESPELHO NOS CONTOS DE MACHADO DE ASSIS E GUIMARÃES ROSA: A
CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NOS PERSONAGENS MASCULINOS

Cyelle Carmem Vasconcelos Pereira
1(UFPB)

Quem consegue resistir ao mistério do espelho? Por vezes objeto de adoração,
outras, necessidade básica e ainda de manifestação da verdade e do obscuro. Ele também é
sinônimo de autoestima, de amor próprio e vaidade. Diante de um espelho, o que você vê?
Essa é a resposta que incessantemente desejamos obter.
Segundo o Dicionário de Símbolos, o espelho representa a verdade, a
autocontemplação e reflexão do universo. No entanto, pode mostrar o puro, as coisas como
elas são, por outro lado, pode deturpar a verdade, enganar. Já de acordo com o significado
do espelho em sonhos, se a imagem for nítida, indica bons presságios, no entanto se for
opaca, turva, deve-se ficar atento, pois anuncia mortes e cuidados com a saúde.
O objetivo do trabalho é mostrar o espelho como instrumento para construção
da identidade nos personagens masculinos nos contos de Machado de Assis e Guimarães
Rosa, ambos intitulados “O Espelho”, uma vez que enfatizam a busca por sentidos
existenciais de suas personalidades.

Continuação no Recanto das Letras: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3312818

terça-feira, 1 de novembro de 2011

EXORCISMO


Ainda tento o exorcismo.
A sombra da sua passagem ficou.
Leve rastro de marcas profundas
riscou o chão.

Ainda tento o exorcismo.
Ouço ruídos no andar de cima
Portas a bater,
Luzes a acender.

Não quero padre,
mandinga ou ritual
candomblé ou purificação.
Quero o próprio demônio
da sua dor habitando esta casa.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Farsa" e outras - Suzy Lopes no Sarau Rosa


FARSA

Desconfio que alguém vive minha vida
Estou sempre à margem do que vejo
O que almejo chega como um sonho
e logo acordo.

Acho que outra está com minha vida
Não sinto o que devo sentir
Não tenho o que devo ter
Não escuto o que devo ouvir.

Suponho que alguém está além
por trás desse fino véu
onde vejo minha história
mas está longe do que posso tocar,
distante dos meus dedos.

Agora sei!
Outra finge ser eu
e até agora não consegui provar
que ela é a farsa
e não eu.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O sexo do mundo


"Tinha medo de encarar o mundo, mesmo sem entender direito o que era o Mundo. Até ali ele restringia-se a férias na praia, tardes na casa da avó, brincando no quintal com minhocas e flores que transformava em perfumes. Não tinha muita paciência para brincadeiras com bonecas, vestidos e coisas de meninas. Aliás, parecia gostar mais das aventuras dos garotos: subir em árvores, jogar bola, correr. Talvez tenha sido um defeito físico, apenas um detalhe."
(De uma quase nada menina)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Poesia+teatro+dança+música no Empório = combinação perfeita

BANDEIRA BRANCA

Não quero a paz branquinha
com a cara pálida.
Quero cor com gosto de felicidade,
adrenalina.

Não quero a paz sem graça,
o silêncio doendo os meus ouvidos.
Quero o barulho dos sorrisos, dos olhares de desejo.

Não quero a paz dos lugares vãos.
Quero a sala cheia de avós, crianças.
Quero ver-me nas rugas dos asilos
e recomeçando
nos berços inundados de vida nova.

A minha paz tem a cara do recomeço,
do círculo em pleno movimento.

A paz anda, fervilha
rompe
esses rótulos de bandeira branca.

* Um dos poemas lidos por Suzy Lopes na noite de 04 de outubro de 2011.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Café em Verso e Prosa faz Sarau Rosa nesta terça no Empório Café

O projeto "Café em Verso e Prosa" acontece nesta terça feira, às 20h30 no Café Empório e tem como tema uma ótima causa: trata-se do “Sarau Rosa” em menção ao “Outubro Rosa”, movimento que acontece no mundo inteiro. O nome remete à cor do laço que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e a participação da população, empresas e entidades. Este movimento começou nos Estados Unidos, onde vários estados tinham ações isoladas referentes ao câncer de mama no mês de outubro.
No Brasil, a primeira iniciativa aconteceu em 2002 quando o Obelisco do Ipiranga (em São Paulo) foi iluminado de rosa. Assim vários monumentos do Brasil como o Cristo Redentor (RJ), Opera de Arame (PR), Barra Nova (CE), Memorial JK (DF) e muitos outros já receberam a iluminação rosa pelo evento no mês de outubro.
Em outubro de 2011, novamente as entidades relacionadas ao câncer de mama e empresas se unem para expandir a campanha. Em João Pessoa, a empresária Rosana Porpino procurou Suzy Lopes, organizadora do “Café em Verso e Prosa”, para sugerir o movimento como tema. Deste convite, surge mais uma ação do “Outubro Rosa” em nossa capital, o Sarau Cor de Rosa.
“Fiquei muito feliz com a proposta de Rosana, até pelo fato de que embora seja um movimento que acontece no mundo inteiro, aqui em nossa cidade ainda é pouco conhecido, e me sentir fortalecendo um evento como este me faz muito feliz”, afirma Suzy Lopes, que também adianta que a noite rosa do sarau além de ser 'cor de rosa' terá como figura central a mulher. A performance de abertura trará poesias de Elisa Lucinda, Viviane Mosé, Cora Coralina, Florbela Espanca, Janice Japiassu, Alice Ruiz e Cyelle Carmem (que lançou recentemente um livro com poemas chamado “Luzes de Labirinto” pela CBJE – Câmara Brasileira de Jovens Escritores).

Como convidados, o Café em Verso e Prosa receberá Rosana Porpino, a cantora paraibana Cida Alves e o compositor e cantor Geovan Morais. A dança também estará presente com três apresentações: Nyka Barros, Aretha Paiva e Flávia Galvão. O teatro será representado por Daniel Porpino e pela Cia. Dos Truques com a performance “Ritual”. A noite ainda terá a presença de Hector Morais, um garoto de 12 anos recitando poemas de sua autoria. Estarão presentes também os Amigos do Peito e a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Mama.

SERVICO:
Café em Verso e Prosa apresenta: SARAU ROSA
Terça-feira, 04/10, às 20h30
Empório Café. Rua Coração de Jesus, 199 (Feirinha de Tambaú). 3247 0110.
Twitter: @EmporioCafe | Facebook: /EmporioCafe
http://emporiocafejp.com.br/
Café em Verso e Prosa apresenta: SARAU ROSA
Terça-feira, 04/10, às 20h30
Empório Café. Rua Coração de Jesus, 199 (Feirinha de Tambaú). 3247 0110.
Twitter: @EmporioCafe | Facebook: /EmporioCafe
http://emporiocafejp.com.br/
Augusto Magalhães, com Assessoria do projeto

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Mundo


"Sempre achou que era uma menina diferente, só não sabia dizer o porquê. Nem teria para quem dizer, pareceria estranho e desagradável. Queria isentar-se de qualquer culpa, seja ela realmente sua ou não. Tinha medo de encarar o mundo, mesmo sem entender direito o que era o Mundo."

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Comentários sobre o livro "Balelas" - de Wander Shirukaya

         No mundo da literatura, não basta só escrever seus próprios textos e publicá-los individualmente e viver olhando pro próprio umbigo. O incentivo a outros escritores, principalmente quando estão tão próximos e buscando atingir a mesma meta, é imprescindível. Pensando nisso, nosso amigo Wander Shirukaya, do Caixa Baixa, abriu para outros escritores e amantes da literatura que fossem feitos comentários sobre seus contos. Portanto, aqui estão comentários de Cyelle Carmem (eu mesma), Amanda Reznor, Jéssica Mouzinho, Jairo Cézar e Bruno Gaudêncio.

O vazio das lembranças em molduras fotográficas. Saudade, lacunas de uma vida. Belíssimo conto!” – Cyelle Carmem, escritora, sobre “A fotografia”


“Wander descreve o momento de uma fotografia de forma sublime e encantadora, registrando os diferentes quadros que formam as cenas, ora felizes, ora melancólicas, completando um verdadeiro retrato da sensibilidade.” – Amanda Reznor, escritora e compositora, sobre “A fotografia”.
 
“O que seria de nossos ouvidos se não fosse a música,  dos nossos olhos se não fosse a literatura? Sua literatura existe pelos dois” JéssicaMouzinho, estudante, sobre “Às teclas pretas do piano”.

 “Às teclas pretas do piano: - surpreendente!” – Jairo Cézar, escritor.

Wander Shirukaya foca suas narrativas a partir de um olhar factual, com diretrizes contemplativas; constrói uma lógica de subjetividade, muitas vezes nostálgica, amarga e intensa. Exemplos são os contos: “Barcarola” e “oceano”. Bruno Galdêncio, escritor e historiador.


O lançamento do livro Balelas será dia 05 de outubro (quarta-feira) no Terraço Brasil. Sucesso, Wander!
Outras informações no blog de Wander http://blogdoshirukaya.blogspot.com/
 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

De uma quase nada menina

"O fato é que ela sentir-se cada dia mais diferente e colocava na cabeça que não pertencia a esse mundo. Talvez as outras meninas já se mostravam fúteis ou restritas a interesses que não eram os seus. Ou então as pessoas só mostravam aquilo que gostariam de ser e não o que eram de fato. A questão é que ela achava aquilo tudo muito estranho e enfadonho! "

(De uma quase nada menina - Cyelle Carmem)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O que é o Caixa Baixa?


Bom, teoricamente, um núcleo literário de poetas e contistas da Paraíba.
Profanamente: um bando de esfomeados loucos para atacar um pobre galeto. kkkkkkkk

Falando sério:
A reunião do dia 10 de setembro, realizada no Espaço Multíplo, em Tibiri, foi decisiva para futuros projetos, organização de dados, publicações etc.
Participaram: Betomenezes, Jairo Cézar, Cyelle Carmem, Wander Shirukaya, Joedson Adriano e Roberto Denser.
Nosso blog: http://www.caixabaixa.org/

sábado, 10 de setembro de 2011

Poesia natural


"Não falarei mais dos amores, pelos quais passou e por quais teve muitas decepções, próprias do amor imaturo. Essa jovem queria apenas mostrar-se viva por outros meios que não os habituais. Ser palavra, cheiro, sentido, música ouvida pelo encantamento do mundo. Assim, despertou para a poesia aos poucos sem perceber, mesmo quando a palavra entrou em sua vida por um livro grosso, de capa verde, com dedicatória para ela. Explorar todas aquelas páginas seria um trabalho demorado, que não deu muita importância, afinal de contas aquelas palavras não a deixariam em paz nunca mais na vida."

(De uma quase nada menina - Cyelle Carmem)

domingo, 4 de setembro de 2011

Leitura do poema "Meu silêncio"


O poema "Meu silêncio" faz parte do meu primeiro livro "Luzes de Labirinto"(2010), editora CBJE.
As leituras em vídeo fazem parte do um projeto do Núcleo Literário Caixa Baixa, do qual faço parte, juntamente com outros poetas, contistas e cronistas, para divulgar a nova literatura feita na Paraíba.
Os escritores homenageados já foram Jairo Cézar, Thiago Lia Fook e Wander Shirukaya.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

TRÊS LINHAS DE INFINITO



Ser breve
apesar da imensidão
Ser rápida
apesar da extensão
Prolixo
já não cabe
Há de ter conteúdo
em três linhas de infinito.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

RODA DE LEITURA COM CYELLE

 
Matéria publicada no Jornal A União, no dia 10 de agosto de 2011.
Caderno de Cultura e Diversão - Palco
Coluna #Cena Aberta
cultura.aunião@gmail.com


RODA DE LEITURA COM CYELLE
"A poetisa Cyelle Carmem participa hoje, às 9:30, na Sala de Convenções 1 da Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes,de  no Altiplano, da Roda de Leitura e Poesia, uma das atividades do Projeto Estação Poética, que, este mês, contará com a participação do grupo de idosos Todos em Ação, do bairro de Mangabeira, com o objetivo de estimular o gosto pela leitura. Cyelle é natural de João Pessoa e é uma das integrantes do coletivo de poetas Caixa Baixa".
 

 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Agosto das Letras


Sabe qual é o melhor remédio para o coração?
Não é fazer corridas regulares, nem ter alimentação saudável. Não apenas isso!
Não é ter uma vida tranquila, nem beijar na boca quem nos dá tesão. É bom, né? Mas não basta.
O melhor remédio para o coração é ouvir poesia, senti-la, deixa-la nos embalar.
Ontem tive o prazer inestimável de assistir ao Grupo Teatrália encenando "Ensaios Fotográficos" de Manoel de Barros.
Na voz de Gustavo Limeira, ouvi os versos abaixo:

Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar. Vem uma palavra e tira o lugar debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que uma palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém. Ao retirar debaixo de mim o lugar, eu desaprumei. Ali só havia um grilo com sua flauta de couro. O grilo feridava o silencio. Os moradores do lugar se queixam do grilo. Veio uma palavra e retirou o grilo da flauta. Agora eu pergunto: quem desestruturou a linguagem? Fui eu ou foram as palavras? E o lugar que retiraram debaixo de mim? Não era para terem retirado a mim do lugar? Foram as palavras pois que desestruturaram a linguagem. E não eu.
(Manoel de Barros)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

CAIXA BAIXA EM VOZ

O primeiro vídeo é uma poesia de Bruno Gaudêncio e o segundo vídeo do meu grande amigo Jairo Cézar.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

TROCA

Há de se perder tempo
para ganhar liberdade.
Olhos cristalizados
Saliva apurada pelo deleite.

Há de ser ganhar alegria
para perder insônia.
Cantos de boca
mastigam os dias futuros
antecedem escondidas dores.

Dê-me algo para entregar-me
Meu preço não é caro
mas é raro.
Passe a recompensa de uma mão para outra:
uma rouba
a outra doa.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

OUTRA

Há dias em que prefiro ser outra
mudar a cor do cabelo
chocar a quem passa na rua
trocar o jeans surrado
pelo vestido decotado,
surpreender.
Pintar as unhas de azul
Fingir que assim sempre fui.

Há dias em que enjoo de mim!
Aquela cara de menina
previsível para muitos
antiquada para poucos.
Ser um exemplo do que sempre esperam
Ser quase perfeita
Jamais perder o ritmo ou o prumo.

Por isso
há dias em que me visto de outra.
Disfarço-me, escondo-me
Invento um eu,
mais humano
mais incompleto
que se permite errar mais
que se permite não pensar muito
tentando não dar razão a tudo e em tudo.
Assim, é mais fácil seguir levando no bolso
para uma ocasião propícia
a minha essência primeira.

* Poema do livro "Luzes de Labirinto".

terça-feira, 26 de julho de 2011

Cecília Meireles e o Hinduísmo

Meu artigo publicado com II Fórum Internacional de Pedagogia ocorrido em Campina Grande em 2009, está íntegro no Recanto das Letras (http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3097565). Segue o resumo para quem se interessar.

CECÍLIA MEIRELES E A POÉTICA DA MORTE:

UMA LEITURA HINDUÍSTA


Cyelle Carmem Vasconcelos PEREIRA[1]

RESUMO
Um dos aspectos essenciais para se entender a poesia de Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901-1964) é considerar sua relação com o Hinduísmo. Como um sistema de idéias filosóficas, o Hinduísmo inspirou Cecília Meireles, fazendo-a criar o seu próprio sistema poético de representação. Um dos temas essenciais de sua poesia é o tema lírico da morte. A poetisa ampliou seu conhecimento sobre a Índia, especialmente depois de sua visita ao país em 1953, onde ela recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Délhi. Os pressupostos básicos de nossa pesquisa situam-se no entendimento de alguns entre vários aspectos instigantes de sua produção poética, elaborados sob a contribuição do Hinduísmo.

Palavras-chave: Literatura Brasileira, Filosofia, Hinduísmo.


[1] Mestre em Literatura e Cultura – PPGL/UFPB.

domingo, 17 de julho de 2011

FARSA

Desconfio que alguém vive minha vida
Estou sempre à margem do que vejo
O que almejo chega como um sonho
e logo acordo.
Acho que outra está com minha vida
Não sinto o que devo sentir
Não tenho o que devo ter
Não escuto o que devo ouvir.
Suponho que alguém está além
por trás desse fino véu
onde vejo minha história
mas está longe do que posso tocar,
distante dos meus dedos.
Agora sei!
Outra finge ser eu
e até agora não conseguir provar
que ela é a farsa
e não eu.

sábado, 25 de junho de 2011

CÁRCERE DE ALTO-MAR

Escondido

Ocultado
Segredado
e ainda respira.

Desprezado
Esquecido
Ignorado
e ainda transpira.

Mate-se seu espaço
seu trato
seu pacto com o diabo
só Deus para total extermínio.

(Cyelle Carmem)

"Geralmente amor mal resolvido é aquele que resolveram pra você."

(Tati Bernardi)

terça-feira, 21 de junho de 2011

BELO CIRCO DE BICHO SOLTO

Não saí para ser bonita
O brilho ficou na gaveta
Os olhares passam rentes ao meu ocultismo.

A bela sente inveja da fera
por ser livre, ser visceral.

Animal domado faminto
realimenta os perigosos instintos.

Não acordei para ser bonita
Os lábios permanecerão opacos,
absortos e secos.
Os olhares não resistem à neutralidade do ser.

Pula aos olhos apenas
o evidente,
o latente,
o vibrante,
o incandescente.
Mas hoje, não sou bonita
não aos olhares unânimes
dos ocupados domadores.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dedicatória

Parodiando Victor Hugo:

"Desejo que os anos não lhe tirem a beleza
que mantenha seu sorriso iluminado e radiante
Desejo que seus sonhos sejam sempre maiores que as decepções
que as rugas sejam apenas histórias para contar.
Desejo que não sinta medo de envelhecer
e se assim o for
que não permita a amargura lhe contagiar.
Desejo afinal que sejas feliz
cada dia, um após o outro,
e que tenha sempre amor para sempre valer a pena."

Cyelle Carmem

* Carta enviada a mim mesma neste aniversário de 33 anos. (Ufa!)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Críticas à gramática


Você já pensou como a gramática normativa da Língua Portuguesa é complicada?
Não digo a língua, mas a gramática mesmo...
Por isso muitos dizem não saber português. Oh, que grande bobagem.
Podemos não saber as regras, como usá-las adequadamente, mas português sabemos sim.

Pensando nisso, sugiro que vocês apontem as grandes dificuldades e as críticas à gramática.
Pode ser qualquer coisa. Estou fazendo uma pesquisa a respeito.

Agradeço os comentários. Beijocas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Oficina do Processo de Criação Poética

No Espaço Cultural, a partir de hoje, dia 01 de junho de 2011, está ocorrendo a Oficina do Processo de Criação Poética com o professor Hildeberto Barbosa Filho.



A oportunidade é maravilhosa para quem pretende escrever poesia ou continuar escrevendo, com mais qualidade. As aulas estão sendo na Rampa 1, sala 4, às 9:00 h.
Compareçam! Vale a pena!

sábado, 28 de maio de 2011

Sarau poético Caixa Baixa

O 1º Sarau Poético do Núcleo Literário Caixa Baixa foi um sucesso!

Realizado no dia 25 de maio de 2011, na Estação Ciência, reuniu um público apaixonado pela literatura e teve a presença de alguns integrantes do Caixa Baixa, declamando suas poesias e contos, como Cyelle Carmem, Jairo Cézar, Gustavo Limeira, Félix Maraganha,Thiago Lia Fook, Roberto Denser, Wander S., Jô Mendonça e Joedson Adriano. Orgulhosos de estarmos nos consolidando como escritores, seguiremos em frente para enriquecer a cultura paraibana. 

sábado, 14 de maio de 2011

BECOS ESCUROS GUARDAM SONHOS PERDIDOS


O que sou... ninguém nunca vai compreender.
Becos escuros guardam sonhos perdidos
Atalhos que levam a lugar nenhum.

Meus gritos não alcançam os ouvidos
Vou me perdendo por caminhos sem volta.
Não há como resgatar-me.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Passa tempo!

Passa tempo!
mas não dentro de mim
que seus ventos
assanham meus cabelos
desalinham o vestido.

Passa
na esquina dos desesperos
fantasmas do desassossego
alicerces do desapego.

Passa tempo!
mas não perto de mim
traquinagens da efemeridade
cresce a criança que levo na mão.

Passa
na rua do trovador
no beco da pobre flor
na cova do mau amor.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CRU

Uma parte de você
não o todo, imenso, desproporcional
ilimitado.
Uma parte como uma tela
com margens onde esbarram meus pensamentos
minha imaginação desenfreada.
Uma porção, contida, pobre
sem excessos que nos dignificam a alma
sem demais que nos façam abandoná-lo.

Quero a sobra disso que vejo agora
mais imperfeições, risadas sem hora
o mau-humor desmotivado.
Quero o além, o aquém
o antes e o depois do que nos mostra.
Mostre o pecado original
a falha na evolução
não esconda o sangue impuro
mestiço, fonte de diversas origens.
Revele a pele, lisa, morena
prova do todo, do excesso
que quero ver em si.

Não reduza a tão pouco
que esse pouco não o mostra
iluminado, belo, perfeito.
Dos defeitos é feita a perfeição.
Não nos prive da humanidade
carnívora, selvagem, destrutível, abominável.
Quero ver o lado sombrio do espírito
e não me surpreender quando ele aparecer.

Uma parte, um terço
desproporcional ao todo que há em você.
Não há quem consiga calcular
essa parte multiplicada pelo infinito.
Complete as lacunas da minha visão
Deixe eu sentir o cheiro da vazão
esse rio que corre descontrolado.

Não quero mais o tédio das suas margens
dessa sua moldura antiga, empoeirada.
Repasse as feridas para que possamos ver
e constatar que também sofre
também é fraco e covarde
de sangue quente, fervente, humano.

Junte suas partes
essa que eu vejo com as outras que esconde
e assim será completo
um perfeito mortal aos meus olhos.