“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância. Pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono! Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer…”

Clarice Lispector

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Agosto das Letras


Sabe qual é o melhor remédio para o coração?
Não é fazer corridas regulares, nem ter alimentação saudável. Não apenas isso!
Não é ter uma vida tranquila, nem beijar na boca quem nos dá tesão. É bom, né? Mas não basta.
O melhor remédio para o coração é ouvir poesia, senti-la, deixa-la nos embalar.
Ontem tive o prazer inestimável de assistir ao Grupo Teatrália encenando "Ensaios Fotográficos" de Manoel de Barros.
Na voz de Gustavo Limeira, ouvi os versos abaixo:

Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar. Vem uma palavra e tira o lugar debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que uma palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém. Ao retirar debaixo de mim o lugar, eu desaprumei. Ali só havia um grilo com sua flauta de couro. O grilo feridava o silencio. Os moradores do lugar se queixam do grilo. Veio uma palavra e retirou o grilo da flauta. Agora eu pergunto: quem desestruturou a linguagem? Fui eu ou foram as palavras? E o lugar que retiraram debaixo de mim? Não era para terem retirado a mim do lugar? Foram as palavras pois que desestruturaram a linguagem. E não eu.
(Manoel de Barros)

2 comentários:

Evandro L. Mezadri disse...

Concordo, é necessário sentir a poesia, vivenciar suas mensagens em cada verso lido.
Grande abraço e sucesso!

Maíra da Fonseca Ramos disse...

Poesia: remédio pra alma...