“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância. Pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono! Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer…”

Clarice Lispector

quarta-feira, 2 de março de 2011












































E-mail enviado ao jornalista Carlos Aranha. Na semana seguinte, ele publicou no Jornal da Paraíba.

"Li seu artigo "Lei absolutamente imperfeita" sobre a reforma ortográfica do Jornal da Paraíba, do dia 11 de março de 2010, e concordo com sua opinião. A intenção desta nova mudança pode ser boa, mas as consequências e os custos envolvendo tais reformulações são exorbitantes. Já não basta, por exemplo, o custo dos pais com a compra de livros escolares que mudam todos os anos? Já não bastam as editoras ganharem dinheiro "reeditando" livros que foram lançados nos anos anteriores e que já ficaram velhos por conta da reforma? 

Sou professora de Língua Portuguesa e sinto na pele os efeitos, assim como percebo o assombro dos alunos ao precisarem "reaprender" tudo, esquecer regras que demoraram a assimilar na escola e que hoje não existem mais. Principalmente no que se refere aos acentos agudos que foram exterminados de palavras como assembléia, idéia... O vôo dos pássaros perdeu um pouco da beleza sem o acento circunflexo. Já com relação aos hífens, não tenho muito o que dizer, uma vez que poucos usavam corretamente e com a mudança creio que não mudará muita coisa. Apenas acho dispendioso para o ensino as exceções que contradizem uma regra, muitas vezes sem fundamento. O acento agudo, nas palavras paroxítonas, não existem mais nos ditongos OI e EI, mas permanece no EU. Isso para quê? Para causar ainda mais espanto nos alunos, fazê-los desistir de estudar o português porque já é complicado mesmo e não há como aprender? Unificar sem facilitar, na minha opinião, não unifica. Talvez seja mais uma tentativa de excluir uma grande quantidade de pessoas conhecedoras da norma culta e incentivar editoras a aumentar o lucro com "Best-Sellers".

Aplaudo sua crônica e lhe parabenizo por seu excelente trabalho como jornalista e admirador de nossa belíssima língua materna.

Grande abraço,

Cyelle Carmem Vasconcelos Pereira

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