“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância. Pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono! Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer…”

Clarice Lispector

sábado, 28 de maio de 2011

Sarau poético Caixa Baixa

O 1º Sarau Poético do Núcleo Literário Caixa Baixa foi um sucesso!

Realizado no dia 25 de maio de 2011, na Estação Ciência, reuniu um público apaixonado pela literatura e teve a presença de alguns integrantes do Caixa Baixa, declamando suas poesias e contos, como Cyelle Carmem, Jairo Cézar, Gustavo Limeira, Félix Maraganha,Thiago Lia Fook, Roberto Denser, Wander S., Jô Mendonça e Joedson Adriano. Orgulhosos de estarmos nos consolidando como escritores, seguiremos em frente para enriquecer a cultura paraibana. 

sábado, 14 de maio de 2011

BECOS ESCUROS GUARDAM SONHOS PERDIDOS


O que sou... ninguém nunca vai compreender.
Becos escuros guardam sonhos perdidos
Atalhos que levam a lugar nenhum.

Meus gritos não alcançam os ouvidos
Vou me perdendo por caminhos sem volta.
Não há como resgatar-me.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Passa tempo!

Passa tempo!
mas não dentro de mim
que seus ventos
assanham meus cabelos
desalinham o vestido.

Passa
na esquina dos desesperos
fantasmas do desassossego
alicerces do desapego.

Passa tempo!
mas não perto de mim
traquinagens da efemeridade
cresce a criança que levo na mão.

Passa
na rua do trovador
no beco da pobre flor
na cova do mau amor.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CRU

Uma parte de você
não o todo, imenso, desproporcional
ilimitado.
Uma parte como uma tela
com margens onde esbarram meus pensamentos
minha imaginação desenfreada.
Uma porção, contida, pobre
sem excessos que nos dignificam a alma
sem demais que nos façam abandoná-lo.

Quero a sobra disso que vejo agora
mais imperfeições, risadas sem hora
o mau-humor desmotivado.
Quero o além, o aquém
o antes e o depois do que nos mostra.
Mostre o pecado original
a falha na evolução
não esconda o sangue impuro
mestiço, fonte de diversas origens.
Revele a pele, lisa, morena
prova do todo, do excesso
que quero ver em si.

Não reduza a tão pouco
que esse pouco não o mostra
iluminado, belo, perfeito.
Dos defeitos é feita a perfeição.
Não nos prive da humanidade
carnívora, selvagem, destrutível, abominável.
Quero ver o lado sombrio do espírito
e não me surpreender quando ele aparecer.

Uma parte, um terço
desproporcional ao todo que há em você.
Não há quem consiga calcular
essa parte multiplicada pelo infinito.
Complete as lacunas da minha visão
Deixe eu sentir o cheiro da vazão
esse rio que corre descontrolado.

Não quero mais o tédio das suas margens
dessa sua moldura antiga, empoeirada.
Repasse as feridas para que possamos ver
e constatar que também sofre
também é fraco e covarde
de sangue quente, fervente, humano.

Junte suas partes
essa que eu vejo com as outras que esconde
e assim será completo
um perfeito mortal aos meus olhos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

AQUELA LUZ

Dentro dos sorrisos
Vida
daquelas que rasgam as entranhas
quebram protocolos
desfazem tradições.
 
Dentro dos olhares
Paixão
daquelas desmedidas
sem hora nem lugar
desnudam aparências
corrompem etiquetas.

Dentro dos abraços
Energia
daquelas revigorantes
como sangue em transfusão.

Aprendi com a luz:
ela não tem margens, limites
nem molduras.
Brilha aquilo que sabe brilhar
Ilumina aquilo que necessita ser iluminado.

A luz só sabe ser
em total escuridão
mas só existe fora de si.