“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância. Pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono! Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer…”

Clarice Lispector

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

DOAÇÃO


A Hildeberto Barbosa Filho

O papel se doa
não o vejo.
Bate as sandálias
mexe os cabelos.

O papel pondera
as vogais da ventania.
Letras apuram
na saliva a velha mania.

Não se mistura
ao pó d’outros rasgos.
Caixa coberta
No chão
a marca da exaustão.